Não somos todos iguais – Dia da Consciência Negra

Laura Augusta e Tainã Vieira

 

Em 2011, no dia 10 de Novembro, foi decretado pela Presidenta eleita a lei 12.519, que instituiu o dia 20 de Novembro, data do falecimento do líder Negro Zumbi dos Palmares como o Dia Nacional da Consciência Negra. Segunda-feira, 20 de Novembro de 2017, dia da Consciência Negra e feriado em um pouco mais de 600 cidades, de um total de mais de 5.500 cidades no país.

Perceber que a comemoração pela #ConsciênciaHumana é mais referenciada do que o dia 20 de Novembro nos obriga a voltar nossos olhos para o cotidiano e perguntar: Como reivindicar uma consciência humana no dia 20 de Novembro, se, todos os dias temos que evocar a nossa paciência negra pra lidar com os diversos ataques racistas e misóginos contra nós e tudo que produzimos?

Muito nos incomoda, nesse dia lembrar das diversas formas que os “bem intencionados” dizem que estão na luta do combate ao racismo, afirmando, que por exemplo: “É parando de falar nele que iremos supera-lo”; “Que precisamos perdoar e esquecer”; e que “O mundo tá muito chato, ninguém pode mais fazer nenhuma piada com nada”.

Pois é, os tempos estão bélicos e passar pano por cima do vão de enfermidades existentes e prevalentes no nosso povo, não é uma forma de promoção de saúde, nem uma forma de enfrentamento mas sim, uma maneira de nos silenciar.

Afirmar uma igualdade humana é uma forma desonesta e ordinária de deslegitimar as vivências violentas que nós Pretas e Pretos estamos expostos diuturnamente. Nesse dia, não estamos reivindicando a igualdade com brancxs, porque essa não é a pauta principal, a partir do momento que nós temos especificidades que devem ser vistas. Buscamos com o 20 de Novembro direcionar as discussões para o campo estrutural dessa sociedade racista, separatista, genocida e violenta da qual fazemos parte.

As palavras que estão em questão são #Equidade e #ReparaçãoHistórica. Que desonesto seria pensar que todas nós temos a mesma facilidade de acesso e usufruto dos direitos e exercício dos deveres constitucionais. Ainda assim o discurso meritocrático ressoa pelas redes sociais e pelos ambientes acadêmicos há muitos séculos.

No dia de hoje, 20 de Novembro, fazemos questão de ressaltar o nome de Dandara de Palmares, força feminina negra, lembrando todas as mulheres negras que morreram aguerridas e seus nomes não foram lembrados pela história, pela estatística, pelo Estado, e, assim como Dandara foram invisibilizadas pelo sistema escroto que nos rodeia.

Nós da Rede Dandaras, reafirmamos nosso compromisso ético-político, e nessas disputas dialógicas pela direita e esquerda, pela culpabilização de quem sorriu para a foto ou de quem a registrou. Preferimos transpassar o debate e relembrar que o empoderamento, só tem valor se for para todos, Pretas e Pretos sem exclusão. Não faz parte dos nossos objetivos delinear as rachaduras dentro do nosso movimento, mas sim, pensar estratégias de enfrentamento e fortalecimento coletivo.

Dia 20 de Novembro salvamos Dandara!
Construiremos Palmares de Novo!

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