A mulher negra e o mercado de trabalho.

Por Flávia Fernanda

A inserção da mulher negra nos processos seletivos, começa pela descrição de cargos e não pela descrição da pele! De acordo, com Carta Magna de 1988 “todos são iguais perante a lei, sem distinção de qualquer natureza, garantindo-se aos brasileiros e aos estrangeiros residentes no País a inviolabilidade do direito à vida, à liberdade, à igualdade, à segurança e à propriedade, nos termos seguintes”. Será que isso procede quando falamos da inserção da mulher no mercado de trabalho? E se essa mulher ainda for negra? O quesito desigualdade aparece ainda mais latente na sociedade! Falar das dificuldades sofridas e enfrentadas pelas mulheres e nas tentativas de inserção no mercado de trabalho, requer uma atenção dobrada para questões sutis e veladas na sociedade como o racismo e o simples fato de ser mulher. No Brasil, algumas pessoas tendem acreditar que não existe sentimentos, pensamentos e nem comportamentos racistas, como não? Claro que sim! Tanto que existe, que o Estado instituiu a Política Nacional de Promoção da Igualdade Racial (PNPIR) – 4.886 de 20 de novembro de 2003. Nesse Decreto, entre os relevantes princípios destaca-se o documento: Brasil sem Racismo, elaborado para o programa de governo qual indica a implementação de políticas de promoção da igualdade racial nas áreas do trabalho, emprego e renda, cultura e comunicação, educação e saúde, terras de quilombos, mulheres negras, juventude, segurança e relações internacionais. Com objetivos de colocar em prática inúmeras ações como exemplo o Incentivo à adoção de políticas de cotas nas universidades e no mercado de trabalho. Nas universidades públicas a política de cotas de modo deficitário ainda procede, mas no campo da empregabilidade isso é ainda é bastante petrificado tanto na conjuntura da inserção pela iniciativa pública quanto no privado. Um outro item chama atenção entre as ações que deviam estar postas no cotidiano das mulheres brasileiras, o incentivo à jovens negras para atuação no setor de serviços/ou produção na perspectiva formativa e o incentivo à adoção de programas de diversidade racial nas empresas, práticas ainda pouco realizadas nos contextos organizacionais. Quando que, para tal efetividade, deveriam ter mais processos de recrutamento e seleção com foco nas descrições de cargos, funções e competências, colaborando para a contratação de mulheres e negras nas empresas de acordo com as habilidades técnicas e comportamentais para o cargo. E não um processo seletivo que já é excludente como diz a palavra “seleto” e segregador com foco nos estereótipos, corpo estético e preconceitos socioculturais existentes.

Flavia Fernanda – CRP 03/IP15701 é Psicóloga em atuação clínica, Facilitadora de Grupos e Relacionamento Interpessoal, Pós Graduanda em Saúde Coletiva na Rede FTC. Atualmente, instrutora de ensino em curso técnico nas disciplinas de Psicologia aplicada à Gestão e Saúde – Rede de Ensino Grau Técnico/BA -2018 Vivências e práticas na área de Saúde Coletiva/Saúde da Família – SIAPS/LAPS-UFBA – 2017 Vivências e práticas na área de Saúde Mental/Álcool e outras Drogas ( Programa de Intensificação de Cuidados -CETAD/BA) – 2016 Vivências e práticas na área de Psico-oncologia ( NASPEC) – 2016

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