As histórias nunca contadas…

Lívia Marques¹

Nossas vidas são cheias de mistérios. O povo negro do Brasil nem sempre sabe dos seus antepassados, não é verdade?

Eu estou sumida daqui por conta de duas perdas na minha vida e de alguns problemas que estão demandando energia demais da conta. Mas que cerceiam muito a questão do racismo.

Bem , vamos lá. Vamos voltar e continuar os nossos pensamentos e reflexões, além de sabermos que tudo é possível para nós. Que nosso lugar é onde desejamos estar, por mais que muitas coisas queiram nos prender onde estamos.

Descobrir sua história, ou parte dela, para nós negros as vezes é difícil. Pois em muitos casos, nossos avós, bisavós, tataravós, não desejam falar sobre o que viveram. Apenas do que vivem neste momento.

Então imagine e faça as contas da sua geração e de quanto tem os anos da tal “Lei Áurea”. Fez as contas?

Feito isso, provavelmente pouco te separa das outras gerações. Se você ainda tiver avós, bisos ou tataravó, converse com eles. Você entenderá porque não gostam de falar muito de suas vidas no passado. Descubram ou tentem descobrir se esses possuem documentos com seus nomes reais. Se possuem sobrenome e de onde vem esse sobrenome.

Muitos dos que vinham de fazendas, normalmente interior de Minas Gerais, não tem noção do seu sobrenome. Ou então utilizaram os nomes das fazendas e colocaram como sobrenome. Nossas mulheres quando saíram em busca de condições de vida diferentes apenas tinham seus nomes e poucas ou quase nenhumas documentos. O triste é perceber que essas mulheres não tinham muito apoio ou quase nenhum naquela época. O triste é saber que essas famílias possuem sua história sabida até a sua quinta geração e mais nada.

É saber que foram mulheres abusadas e maltratadas por homens e mulheres qe as viam como escravas e assim acabaram vindo ou indo para outros Estados, já “libertas” para lutarem por uma vida melhor. Em que inconscientemente sabiam que elas não colheriam os louros naquele momento, mas que alguém faria isso algum dia.

Ser negro é as vezes construir sua história do que você sabe ou te contam, porque você fez um interrogatório e estudou algo para ter mais discernimento e entender o que aconteceu até ali. É saber que nossas avós, bisas e tataravós lutaram muito. Que são mulheres como você, lutando para que nossos filhos, amigos, homens, para que nossa sociedade seja melhor, mas respeitosa. É saber que hoje somos as negras filhas e netas daquelas negras que humilharam, abusaram, desdenharam(e ainda desdenham de nós) e tentaram matar. Mas nós estamos aqui!

Psicóloga Livia Marques

CRP 05/37353

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